Por Armando Lacerda;                                                                                                  16/04/2019

O muro que separa céticos e não céticos é mais poderoso que as pétreas muralhas, idealizadas desde a antiguidade por estrategistas da engenharia militar. Nestes tempos modernos, funda-se e ergue-se nos alicerces do desconhecimento e do preconceito.

Inicialmente, cumpre-se falar dos cantadores de cururu de beira-rio do Pantanal, que fazem das múltiplas emissões humanas e entéricas o mote de escatológicos versos e quadras de deleite do mais puro humor. Mas não vamos classificá-los como céticos. Sua ironia visa só ferir vaidades. Com humildade e sem ouvidos moucos, aceito seu riso maroto.

Pesquisa de 2011 sobre o consumo “glocal” (global e local) de carne, via ilustre BigMac®, mostra que sua origem não é a mesma pelo mundo. Isótopos estáveis – coisa de cientista de física atômica e nuclear – distinguem se o hambúrguer bovino é gerado pela alimentação a grãos (plantas C3) ou a pasto (plantas C4). O sanduiche vendido na Inglaterra é 100% C3, já no Brasil, Austrália e Japão é 100% C4. Demais países nutrem-se de carne “mix”, produzida com ambos os grãos e capim.

Link para esta publicação cientifica: https://doi.org/10.1016/j.foodchem.2011.02.046

Há céticos que dizem que as emissões entéricas fazem bem, pois o carbono emitido pelos animais é o gás da vida. E há imensa maioria que crê no contrário – que o gás nocivo pode destruir a humanidade. Fato é que o consumidor, o mercado, pode informar-se nas prateleiras, ou nos anúncios, qual a origem daquele alimento. Sua Majestade, o consumidor com seu celular, pode acessar imediatamente, onde e como foi produzido o que vai comer, seja cético ou não cético!

Chegamos ao Pantanal, conduzidos pelo ineditismo dos cientistas que consideram nulas as emissões entéricas de metano na criação de gado, nos moldes pantaneiros, quando em contraposição aos moldes intensivos de outras regiões, movidos a grãos ou mesmo a pasto.

Link para esta publicação cientifica: https://doi.org/10.1016/j.scitotenv.2018.11.178

Não se esgota, todavia, que a carne do Pantanal não emite ou são nulas suas emissões de metano. Ao consumir nossas pastagens, o bem-educado boi pantaneiro mitiga e, ao mesmo tempo, se mescla ao “mega arroto” de metano, oriundo da fermentação, na água, das pastagens não consumidas!

Depois da compensação de reserva legal, da prestação de serviços ambientais, eis que fecho esta trilogia de resmungos de velho pantaneiro sobre a necessidade do Agronegócio do planalto sul-mato-grossense virar econegócio, com a sábia incorporação deste eficaz instrumento de marketing e selo de sustentabilidade que é o Pantanal.

Quero agradecer a Ivan Bergier (et al.), autores deste importante trabalho cientifico. Cumpre-me destacar, sem demérito aos demais, a participação do companheiro Urbano Gomes Pinto de Abreu, que em sua última cavalgada na Nhecolândia, ganhou tantas placas cirúrgicas que virou o “Homem de Ferro Pantaneiro”. Tua montaria te espera, Urbano, para novas aventuras!

Como já chegou aos moradores do Paiaguás inundado, notícias dando conta que já tem gente no Planalto usufruindo dos prêmios da Certificação da Round Table on Responsable Soy RTRS, sem considerar os danos à Planície, entendo que é hora de o Pantanal ir expor na Suíça, em Zurique, na sede da RTRS, nossas teses sobre o futuro do econegócio.

Armando Carlos Arruda de Lacerda,
Pantaneiro do Paiaguás e um dos fundadores do Instituto AGWA Soluções Sustentáveis.

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